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Enzimas do fígado em nível baixo podem sinalizar câncer de intestino em jovens

Análise da Epic Research, nos Estados Unidos, associa AST e ALT baixos a diagnósticos antes dos 45 anos, mas os autores avisam que o achado não muda nenhuma recomendação de rastreamento.

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Imagem ilustrativa: Amostras de sangue em um suporte com centrífuga em um ambiente de laboratório.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: https://kaboompics.com/ / Pexels

Um levantamento da Epic Research, braço de pesquisa da empresa norte-americana de software de saúde Epic, apontou que dois marcadores comuns em exame de sangue de rotina podem ter relação com o risco de câncer colorretal antes dos 45 anos. A análise foi divulgada na quarta-feira, 9 de setembro.

Os dois marcadores são enzimas ligadas ao funcionamento do fígado. Uma delas aparece no laudo pela sigla AST, de aspartato transaminase. A outra é identificada como ALT, a alanina transaminase. Entre adultos com menos de 45 anos, quem tinha as duas em patamar mais baixo apareceu com mais frequência entre os diagnosticados com a doença em idade precoce.

O resultado contraria o que se costuma vigiar no consultório. Esses valores entram nos exames de rotina justamente porque, quando sobem, sinalizam inflamação, infecção ou lesão no fígado, muitas vezes antes de qualquer sintoma. Em declaração reproduzida pela CNN Brasil, a clínica e pesquisadora Kersten Bartelt, que participou do trabalho, afirmou que a direção do achado chamou a atenção da equipe, porque o hábito é olhar para os números altos.

A própria pesquisadora cerca o resultado de ressalvas. O trabalho não passou por revisão de pares e descreve uma associação estatística, sem demonstrar que a enzima baixa provoque o tumor. Segundo Bartelt, o estudo não foi desenhado para explicar a causa, e níveis reduzidos desses marcadores podem refletir menos massa muscular, fragilidade ou questões nutricionais.

Na prática, nada muda para quem faz exames. As recomendações de rastreamento do câncer de intestino seguem as mesmas, e um resultado baixo não é motivo para antecipar colonoscopia por conta própria. O interesse do achado é outro: apontar um caminho de investigação para entender o avanço do câncer colorretal entre pessoas mais jovens, tendência observada nos Estados Unidos e ainda sem explicação fechada.

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