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Mensagens e contratos ligam Vorcaro a Moraes às vésperas da prisão do banqueiro

Extração do celular do ex-dono do Banco Master mostra pedidos de interferência na Polícia Federal e consulta sobre deixar o país; o ministro não se manifestou sobre o material.

atualizado em 11/09, 14:05 3 min de leitura
Imagem ilustrativa: Fachada do Palácio da Justiça, em Brasília, com seus arcos de concreto e espelhos d'água.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Matheus Ximenes / Pexels

O conteúdo recuperado do celular de Daniel Vorcaro coloca o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em contato direto com o ex-dono do Banco Master nas semanas que antecederam a prisão do banqueiro. São mensagens, minutas de contrato e metadados de arquivos, reunidos em relatório da Polícia Civil e em investigação a que Estadão e Folha de S.Paulo tiveram acesso.

A troca mais grave, do ponto de vista dos investigadores, é a que trata da própria operação. O compartilhamento sobre os passos iniciais da Operação Compliance Zero teria começado em 4 de novembro de 2025 e se adensado conforme a prisão se aproximava, com datas e horários de diligências planejadas pela PF.

Em 15 de novembro, um sábado, Vorcaro perguntou ao ministro se precisaria estar fora do Brasil na segunda. Na véspera, quis saber se havia chance de a operação sair na manhã seguinte — e naquele momento a ordem de prisão sequer estava assinada. O decreto saiu às 15h29 de 17 de novembro, pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Naquela noite, o banqueiro foi detido no aeroporto de Guarulhos, prestes a embarcar num jato particular rumo a Malta e depois a Dubai.

Os pedidos de interferência

Desde 30 de outubro de 2025, Vorcaro insistia para que o ministro falasse com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de modo a conter as apurações sobre o banco. Os apelos seguiram até cerca de cinco horas antes da prisão: às 16h57 de 16 de novembro, ele perguntou se o comando da PF poderia empurrar as medidas cautelares para a semana seguinte, argumentando que, com o feriado, o banco não quebraria.

O contrato de honorários

Em paralelo, corria um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, banca da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes. A minuta saiu do celular dela para o banqueiro em 11 de janeiro de 2024; quatro dias depois voltou revisada, com uma cláusula acrescentada. Os metadados do arquivo registram que a última alteração antes da assinatura foi feita às 23h04 de 15 de janeiro, num perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes".

O escritório confirmou que o ministro acessou e editou o documento. A explicação apresentada é que a área de compliance quis saber dele, como cônjuge da sócia-diretora, se havia impedimento legal em aceitar o Master como cliente, já que o banco tinha processos no Supremo. Em outubro de 2024, segundo dados do Imposto de Renda do banco compartilhados com a CPI do Crime Organizado, R$ 80 milhões já haviam sido depositados na conta da banca.

O relatório aponta ainda outras vantagens oferecidas ao longo de quase dois anos: cotas de jato e de helicóptero e a montagem de eventos fora do país. Com a segunda linha de honorários, o conjunto de contratos chegaria a R$ 180 milhões.

A extração tem um limite: recuperou o que Vorcaro enviou, e não as respostas. Os dois lados trocavam fotografias de mensagens de visualização única, com o texto escrito no aplicativo de notas — o que impede saber o que o ministro respondeu. Os documentos também não mostram, em todos os casos, se os pedidos foram atendidos.

Procurados, Moraes, Andrei Rodrigues, Paulo Gonet e a defesa de Vorcaro não se manifestaram.

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