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Tornados derrubam barracões e lavouras e deixam produtores sem energia

Produtores de Espigão Alto do Iguaçu e Francisco Alves contabilizam soja perdida, galpões destruídos e uma fábrica de ração arrasada, com prejuízos estimados em centenas de milhares de reais.

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Imagem ilustrativa: Close de um telhado com telhas arrancadas, deixando à mostra o ripado de madeira.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Mathias Reding / Pexels

A conta dos dois tornados que passaram pelo Paraná nos dias 9 e 10 está sendo feita agora, e boa parte dela é no campo. Em Francisco Alves, no Noroeste, e em Espigão Alto do Iguaçu, no Centro-Sul, o que sobrou foram lavouras deitadas, telhado no chão e propriedades no escuro.

O sistema da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, consultado pelo aRede, registrava ocorrências ligadas àqueles dois dias em dez municípios, somando 266 pessoas atingidas e 15 casas com avarias. A contagem é parcial e sobe conforme as equipes municipais alimentam o sistema. Espigão Alto do Iguaçu responde sozinho por 200 dos afetados.

Sessenta hectares de soja no início da germinação

Em Francisco Alves, o granizo que veio junto com a supercélula pegou a lavoura de Ricardo Travasso Raimondi. Ao aRede, ele contou que cerca de 60 hectares de soja, plantados cedo e ainda começando a brotar, foram quebrados pelas pedras. A área não tinha seguro.

Raimondi disse que nem conseguiu medir direito o tamanho do estrago, porque a chuva impediu a entrada na lavoura. Ele pensa em replantar, embora o custo de comprar insumo de novo aumente o rombo.

Em Espigão, a comunidade de Boa Vista de São Roque

O segundo tornado se formou por volta das 0h40 de quinta-feira. O técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) no município, Vanderlei Rohden, relatou ao aRede o que viu na primeira volta pela área: vinte casas atingidas, galpões no chão, eucaliptal derrubado e confinamentos de gado danificados. Num deles, um poste caiu e matou um animal. Um produtor perdeu a semente que estava separada para o plantio da soja, molhada pela chuva.

Márcio Furman acordou no meio da destruição. Ele afirmou ao mesmo veículo que perdeu dois dos três barracões onde guarda maquinário, teve a casa destelhada e viu uma árvore cair sobre a residência do pai. A casa é segurada; os barracões, não. Só para levantar de novo o barracão, ele calcula uns R$ 30 mil, sem contar móveis e eletrodomésticos encharcados.

Quem mais perdeu foi o produtor de leite Meysson Vetorello. Sua fábrica de ração, de 400 metros quadrados, ficou destruída: a cobertura foi arrancada, o milho e o farelo de soja molharam e a estrutura entortou com a força do vento. Ao aRede, ele estimou o estrago em algo entre cem e duzentos mil reais. A unidade produzia por volta de cem toneladas de ração por mês para o próprio rebanho.

Na propriedade de Leandro Bonotto, a seis quilômetros da cidade, o trigo se deitou e árvores caíram. Ele disse não saber se a lavoura levanta a tempo da colheita.

Energia e vento

A falta de luz é o problema que se arrastou. Pelos números da Copel, às 15h de quinta-feira 10% de Espigão Alto do Iguaçu seguia sem fornecimento, o que trava ordenha, fabricação de ração e conservação de alimentos.

Fora das áreas de tornado, o Simepar mediu tempestades fortes em várias regiões durante a madrugada. A rajada mais forte saiu em Marechal Cândido Rondon, onde o Inmet registrou 112 km/h. Em Ubiratã o vento alcançou 95 km/h, e em Assis Chateaubriand ficou em 66,6.

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