Polícia Civil aponta demora do Discord em derrubar salas com crime ao vivo
Relatório do Núcleo de Observação e Análise Digital analisou 63 pedidos de urgência e achou respostas que levaram até 17 dias; o documento foi enviado ao Ministério Público.
Pedidos de urgência feitos pela polícia para tirar do ar salas de conversa em que crimes estavam sendo cometidos ficaram dias sem resposta no Discord. O prazo mais longo registrado chegou a 17 dias. A conclusão é de um relatório da Polícia Civil de São Paulo, assinado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital, o Noad, e obtido pela Folha de S.Paulo. O documento fala em padrão consistente de omissão operacional por parte da plataforma.
Os investigadores percorreram 63 comunicações emergenciais e requisições enviadas à empresa entre maio de 2025 e janeiro de 2026. O que estava em jogo nesses alertas ia de ataques a escolas a planos de atear fogo em pessoas em situação de rua. Havia ainda tortura de bichos exibida ao vivo, incitação ao suicídio em transmissão aberta e imagens íntimas de adolescentes vazadas para servir de chantagem.
A média de atendimento ficou em 17 horas, mas os extremos é que preocupam. Uma sala usada para estupros virtuais e automutilação só caiu depois de 190 horas, quase oito dias. Um pedido de julho de 2025, para remover um ambiente dedicado à matança de gatos, levou 16 dias e 18 horas até receber resposta — e a resposta foi a recusa. Um alerta enviado em 4 de agosto sobre maus-tratos transmitidos ao vivo seguia sem qualquer retorno quando o relatório foi fechado.
O argumento do Noad é que a demora não é só burocracia: enquanto a sala continua no ar, o crime segue acontecendo em tempo real, a audiência permanece, o conteúdo se espalha e a vítima fica exposta por mais tempo.
Há ainda uma segunda queixa, sobre identificação de quem está do outro lado. Segundo o documento, a plataforma tem entregado apenas o endereço IP no formato IPv4, sem a porta lógica de origem — dado que a polícia considera necessário para chegar ao usuário.
O relatório foi encaminhado neste mês ao Ministério Público de São Paulo, à Agência Nacional de Proteção de Dados e à Advocacia-Geral da União. Procurado por e-mail pela reportagem, o Discord não respondeu. A empresa já declarou antes que material ilegal ou abusivo não é aceito em seu ambiente, e que a segurança se apoia em três frentes: filtros automáticos, o que os próprios usuários denunciam e o contato com as autoridades.
Obrigado. Vamos verificar.
Comentários
para comentar.
-
denúncia enviada
Nenhum comentário ainda.
Excluir seu comentário?
Ele sai da matéria para todo mundo, e não dá para voltar atrás.
Imagens dos leitores
Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.
Enviar foto
É preciso entrar para enviar uma foto. A conta serve para registrar a cessão de uso e o crédito.
Leia em outras fontes
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens oficiais, acesse os links acima.