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Pediatras alertam que bebidas vendidas como sem álcool trazem perigo a gestantes

Sociedade Brasileira de Pediatria adverte que limites legais de teor residual em cervejas e vinhos não garantem segurança clínica contra o espectro alcoólico fetal.

atualizado em 11/09, 03:38 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Mulher grávida sentada dentro de casa, mãos na barriga, vestindo roupas casuais. Ambiente de consulta de saúde.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: MART PRODUCTION / Pexels

Mulheres grávidas não devem ingerir bebidas rotuladas comercialmente como livres de teor alcoólico, alertou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O posicionamento preventivo dos especialistas, divulgado pelo jornal Bem Paraná, visa orientar as famílias e conter desordens graves no neurodesenvolvimento de bebês decorrentes da ingestão inadvertida de etanol ao longo dos meses de gestação.

Segundo a entidade médica, a legislação brasileira estabelece limites fiscais que não equivalem a segurança biológica para a gestação. Pelo Decreto nº 12.709/2025, produtos com teor alcóolico de até 0,5% podem receber o selo de "não alcoólicos". Já as regras do Ministério da Agricultura (Instrução Normativa nº 65/2019) autorizam a inscrição "zero álcool" para formulações com até 0,05% de resíduo. Como a ciência médica não reconhece nenhuma dosagem mínima segura na gravidez, essas frações passam diretamente ao feto através da circulação placentária e acumulam-se no organismo em formação.

Ao jornal Bem Paraná, a presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP, Fabíola Suano, frisou que os índices da indústria servem à padronização do mercado interno, mas não eliminam os perigos de toxicidade celular. A pediatra lembrou que testagens químicas já encontraram volumes de etanol acima do anunciado nas embalagens comerciais, recomendando cautela absoluta em relação a rótulos de vinhos e cervejas desalcoolizados.

Também ouvida pelo veículo, a médica Helenilce Fiod Costa, que coordena estudos sobre o espectro alcoólico fetal na associação, ressaltou a necessidade de diálogo transparente nas consultas de rotina do pré-natal. A médica alertou que qualquer contato do bebê com a substância pode ocasionar malformações congênitas irreversíveis, alterações no sistema nervoso central e limitações cognitivas duradouras para a criança.

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