Feijoa, nativa do sul do Brasil, é mais cultivada fora do país
Chamada também de goiabeira-serrana, a fruta alimenta povos indígenas do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, mas virou lavoura comercial na Nova Zelândia e na Colômbia.
Casca verde e dura, polpa mole, cheiro de abacaxi. A feijoa nasce no sul do Brasil e é pouco conhecida dentro do próprio país, embora faça parte da alimentação de povos indígenas daqui.
Fora do Brasil, virou negócio. A Nova Zelândia está entre os maiores produtores do mundo e transforma a fruta em geleia, bebida e sorvete. Na Colômbia, os pés plantados nos Andes dão fruto o ano inteiro. Aqui, o volume produzido é tão pequeno que não se consegue medir com precisão, ainda que pesquisadores e pequenos agricultores notem mais interesse pela espécie na última década.
A planta é nativa de Santa Catarina, do Paraná, do Rio Grande do Sul e do norte do Uruguai, e também é chamada de goiabeira-serrana. Os povos xokleng, kaingang e guarani a comiam antes de qualquer catalogação europeia, e descendentes indígenas ainda hoje a usam como remédio.
O nome científico guarda a história da saída dela do continente. Segundo o Bem Paraná, a pesquisadora Samira Moretto, da Universidade Federal da Fronteira Sul, explica que a espécie entrou no conjunto de plantas examinadas pelos naturalistas que chegaram ao Brasil depois de 1808, com a abertura dos portos. Um deles, o botânico alemão Friedrich Sellow, mandou as primeiras amostras para a Europa. Em 1856, Otto Berg batizou a planta de Feijoa sellowiana, juntando o nome de Sellow ao do naturalista brasileiro José da Silva Feijó.
Esse nome também separa a feijoa da goiaba comum, a Psidium guajava, que é outra espécie.
O cultivo fora da América do Sul só começou meio século depois da descrição científica. Moretto, que reconstituiu a trajetória da fruta no doutorado, atribui o primeiro plantio ao arquiteto e botânico francês Édouard André, que levou mudas uruguaias para o sul da França. A planta se adaptou, frutificou, e André publicou um artigo apresentando-a ao mundo.
O texto despertou procura pelas mudas, sobretudo nos Estados Unidos. Um dos primeiros a importá-las foi Francesco Franceschi, viveirista italiano especializado em plantas exóticas, que passou a cultivar feijoa em Santa Bárbara, na Califórnia.
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