Pular para o conteúdo

Emprego em alta não anima o brasileiro, e dívida cara explica o pessimismo

Estudo do FGV Ibre calcula que, sem o efeito da escolaridade e do envelhecimento, o desemprego do primeiro trimestre seria de 7,4%, e não os 6,1% divulgados pelo IBGE.

2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Pessoa usando calculadora sobre uma mesa de madeira, ao lado de papéis, para organizar as finanças pessoais.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Mikhail Nilov / Pexels

O país tem criado vagas e elevado salários, mas o brasileiro não está comemorando. A distância entre o que dizem os números do emprego e o que as pessoas sentem no dia a dia é o ponto central de uma análise assinada por três pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas: Janaína Feijó, Paulo Peruchetti e Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Os indicadores de trabalho melhoraram de forma consistente. Desde o fim de 2019, a ocupação avançou 1,3% ao ano em média e os rendimentos, 1,9% ao ano. No mesmo intervalo, a taxa de desemprego caiu 5 pontos percentuais e o nível de ocupação subiu 1,9 ponto. Os cálculos partem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.

A percepção, porém, foi na direção oposta. A Sondagem do Consumidor da própria FGV mantém todas as faixas de renda abaixo dos 100 pontos, marca que separa otimismo de pessimismo, e o humor é pior justamente nos domicílios que ganham menos.

Parte da melhora é estatística, não vivida. Segundo os pesquisadores, boa parte do avanço vem de mudanças no perfil da população, que ficou mais escolarizada e mais velha, e não de uma situação melhor dentro de cada grupo de trabalhadores. Como quem estudou mais enfrenta menos desemprego, o crescimento desse grupo puxa a média geral para baixo sem que ninguém tenha deixado de sentir o mesmo aperto.

Descontado esse efeito, a conta muda bastante: o desemprego do primeiro trimestre de 2026 ficaria em 7,4%, em vez dos 6,1% registrados oficialmente, e a renda seria cerca de 23% menor do que a apurada. O raciocínio vale igualmente para o salário médio, que sobe porque mais gente migra para faixas de escolaridade mais bem remuneradas.

Sobra o outro lado da conta, o das dívidas. Os economistas apontam endividamento e inadimplência em patamares altos, somados a crédito caro, com peso maior sobre as famílias de renda mais baixa. E quando a renda é ajustada pelo comportamento dos preços dos alimentos, que ocupam fatia maior do orçamento dos mais pobres, o que aparece é perda de poder de compra. É essa conta que explica por que o carrinho do supermercado parece render menos mesmo com o salário maior.

Você marcou muitas publicações em pouco tempo. Espere um minuto e tente de novo.

Comentários

Nenhum comentário ainda.

Imagens dos leitores

Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.

Leia em outras fontes

O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens oficiais, acesse os links acima.

Leia também