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Censo 2022 mostra católicos em 57% e maioria evangélica sem igreja definida

Microdados liberados pelo IBGE mostram que 87% dos brasileiros se declaram cristãos, e que o catolicismo caiu de 74,4% em 2000 para 57% do país duas décadas depois.

atualizado em 11/09, 13:58 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Interior de uma igreja histórica, com bancos de madeira vazios e vitrais.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Lucas Oliveira / Pexels

O IBGE abriu na segunda-feira (31) os microdados religiosos do Censo 2022, e o retrato que sai deles, analisado pela Folha de S.Paulo, é mais detalhado do que o das divulgações anteriores. No traço mais largo, pouco mais de 87% da população se declara cristã.

O dado que mais chama atenção está entre os evangélicos: o maior subgrupo não pertence a nenhuma denominação identificada. São os que se disseram apenas evangélicos ou crentes, sem nomear igreja — 15,6% dos brasileiros de 10 anos ou mais. Isso não quer dizer que não frequentem uma; quer dizer que não a informaram.

Os pentecostais somam 14,3 milhões de pessoas. É a categoria em que o instituto reúne desde as Assembleias de Deus até a Igreja Universal do Reino de Deus. Dentro do universo de 176,6 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais em 2022, o grupo representa 8,1%. Já os evangélicos de missão, de tradição protestante histórica como presbiterianos e metodistas, ficam em 3,2%, o equivalente a 5,6 milhões.

Esses números pedem cautela. Uma mudança de metodologia impediu o instituto de descer ao detalhe nesse segmento, e o efeito provável é que o tamanho real da fatia pentecostal esteja subestimado. Vale lembrar também que o recenseamento deixou de fora do recorte religioso as crianças com menos de 10 anos, o que não acontecia antes.

Entre os católicos, a queda é constante de censo em censo: 74,4% em 2000, 65,5% em 2010 e 57% em 2022, hoje 100,6 milhões de pessoas. Ainda assim, é a crença mais professada do país. Quase todos são apostólicos romanos. Os apostólicos brasileiros, denominação independente criada em 1945 pelo bispo Carlos Duarte Costa, reúnem 386 mil fiéis, e os ortodoxos, 21 mil.

A comparação histórica dá a medida do deslocamento. No primeiro recenseamento brasileiro, em 1872, os católicos eram 99,7% de uma população de quase 10 milhões — número que também refletia o fato de o catolicismo ser a religião oficial do império, situação que só mudou em 1890.

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