Instalações no MON usam rostos e inteligência artificial na Bienal
Trabalhos de Gao Fuyan, Juliana Berto e Thiago Martins de Melo convidam o público a interagir com imagens e impressões em duas salas do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Uma imagem do rosto que muda com a participação de cada pessoa e uma entidade de inteligência artificial que imprime aforismos estão entre as experiências da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, intitulada LIMIARES. As duas instalações ficam no Museu Oscar Niemeyer e dependem da interação do visitante para executar suas ações.
Na Sala 8, o trabalho RAGE, de Juliana Berto em parceria com Thiago Martins de Melo, responde a quem se aproxima e acena. A entidade produz um aforismo e o converte em uma impressão que pode ser levada pelo público. A obra foi criada para esta edição da Bienal.
Seu nome é a sigla de Reprodutor Autônomo Generalizado de Entropia. A proposta articula inteligência artificial com questões de espiritualidade e transcendência, conforme a apresentação publicada pelo Me Gusta Curitiba.
Já a Sala 1 abriga a instalação de Gao Fuyan, intitulada Fragmentos de Tempo — Teatro do Rosto. Para participar, a pessoa se posiciona sobre uma marca no piso. Uma câmera captura sua face, que é impressa em uma folha em preto e branco.
Depois, o papel segue por roldanas até ser dividido em tiras. Os fragmentos se juntam aos que foram produzidos a partir de outras pessoas. Com a passagem de milhares de visitantes, o conjunto acumulado ganhou volume e reúne os restos de imagens antes reconhecíveis.
A captura também alimenta uma projeção. Características de cada rosto são incorporadas à imagem exibida, que se altera à medida que novas pessoas participam. A instalação aborda identidade e vigilância por meio dessas duas operações: enquanto a impressão individual acaba fragmentada, os traços registrados passam a compor uma face em transformação.
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