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Operação dos EUA contra o narcotráfico no mar completa um ano com 227 mortos

Uma autoridade do governo Trump disse que os ataques seguirão onde for preciso, enquanto um relatório da própria DEA concluiu que a oferta e o preço da cocaína nos EUA não mudaram.

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Imagem ilustrativa: Silhueta de um navio de guerra e helicóptero no mar durante o pôr do sol.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Germannavyphotograph / Pexels

A ofensiva militar que os Estados Unidos mantêm contra barcos suspeitos de carregar droga nas águas do Caribe e do Pacífico Oriental completa um ano, e o governo americano avisou que não pretende recuar.

Em conversa com jornalistas na segunda-feira (1º), da qual a Folhapress participou, uma autoridade que pediu para não ser identificada afirmou que Donald Trump deixou claro que a operação pode atacar, e vai atacar, onde for necessário.

O saldo já é alto. A organização Airwars, que acompanha os bombardeios, soma ao menos 227 mortes desde que a campanha começou, e 69 embarcações destruídas até o fim de agosto.

Questionado sobre o que seria uma vitória e por quanto tempo Washington bancaria a ofensiva, o funcionário respondeu que o alvo é devolver aos governos parceiros o comando de seus próprios territórios. Citou como exemplo Colômbia, Equador e Venezuela mandando em suas terras no lugar dos cartéis. Pela explicação dele, a ação é feita em defesa dos próprios Estados Unidos, e a cooperação com os vizinhos serviria para tirar espaço de grupos que o país trata como organizações terroristas estrangeiras.

A campanha é contestada em duas frentes. Ainda segundo a Folhapress, especialistas em direito criticam o raciocínio que sustenta juridicamente os bombardeios: o de que os Estados Unidos estariam travando um conflito armado com organizações do narcotráfico.

A outra frente é o resultado prático. O jornal The Washington Post teve acesso a uma avaliação interna da DEA, agência antidrogas americana, cuja conclusão é que nem a quantidade nem o valor da cocaína vendida em solo americano se alteraram depois de um ano de ataques. Pelo que aponta o documento, os traficantes apenas trocaram de método: barcos maiores, rotas mais coladas à costa e até aviões, para desviar das forças americanas.

Esse diagnóstico vai na direção oposta da leitura oficial. Para a autoridade que falou aos jornalistas, o propósito da campanha é justamente suprimir o espaço físico e territorial sob domínio dessas organizações.

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