Simepar registra recordes históricos de chuva e temporais severos em agosto no Paraná
Levantamento meteorológico aponta precipitações acima da média na maior parte do estado, vendavais com rajadas superiores a 100 km/h e passagem de tornado com rastro de destruição.
O encerramento de agosto de 2026 foi marcado por episódios expressivos de precipitação e eventos meteorológicos severos em diversas regiões do Paraná. Conforme levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) divulgado pelo portal Bem Paraná, a grande maioria das unidades de monitoramento ultrapassou os índices médios históricos esperados para o período.
De acordo com o levantamento técnico, das 47 estações com série operacional de pelo menos cinco anos, somente três registraram acumulados pluviométricos inferiores ao padrão climatológico: Cianorte, Maringá e Apucarana. Em contrapartida, municípios como Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e Palmas tiveram os maiores volumes já computados para um mês de agosto desde o início das medições locais.
Concentração de chuvas e tempestades
Apesar dos números elevados, a distribuição das precipitações foi concentrada. Em várias localidades, como em Altônia, o montante mensal foi alcançado em apenas cinco dias de chuva ao longo de todo o mês. As precipitações volumosas resultaram principalmente da passagem de duas frentes frias, associadas à circulação de jatos atmosféricos em baixos níveis carregados de calor e umidade vindos da Amazônia.
Essas condições de instabilidade provocaram granizo e vendavais violentos em dezenas de cidades paranaenses. A Defesa Civil do Estado atendeu a ocorrências de destelhamento e danos em centenas de moradias, com registros severos concentrados nos municípios de Pinhão e Marmeleiro. Em Santa Maria do Oeste, as rajadas de vento bateram 95,8 km/h, enquanto no Pico Marumbi os instrumentos aferiram ventanias de 106,9 km/h.
Passagem de tornado em Piraí do Sul
O fenômeno mais destrutivo do período ocorreu no dia 8 de agosto, quando um tornado classificado na categoria F3 da Escala Fujita atingiu áreas de Piraí do Sul. O monitoramento do órgão estadual estimou que as rajadas de vento atingiram velocidade entre 253 km/h e 332 km/h no município.
Perícias técnicas conduzidas com imagens de radar e aerofotogrametria de drones confirmaram um rastro contínuo de destruição que superou 17 quilômetros de extensão territorial, gerado pelo deslocamento de supercélulas de tempestade.
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