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Vapes proibidos somam R$ 440 milhões em apreensões da Receita Federal

Banidos pela Anvisa desde 2009, os cigarros eletrônicos entraram na rota das facções, e o instituto que mapeia o contrabando calcula margem de lucro de 259% no produto.

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Imagem ilustrativa: Três dispositivos de cigarro eletrônico sobre fundo branco.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Aleksander Dumała / Pexels

O cigarro eletrônico é proibido no Brasil desde 2009, por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e ainda assim entra no país em volume crescente. O valor do que a Receita Federal apreende subiu ano após ano: só em 2024 as apreensões chegaram perto de R$ 200 milhões, e a soma dos cinco anos de registro passa de R$ 440 milhões.

Os números aparecem no Mapa do Contrabando, publicado em maio pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, que atualizou um levantamento feito dez anos antes. O cigarro comum continua no topo da lista de apreensões, mas o que mais chama atenção é a velocidade de crescimento de três categorias: os vapes, os agrotóxicos e os medicamentos.

Neste último grupo, o empurrão vem das canetas emagrecedoras, em marcas e versões sem autorização para circular aqui.

A proibição é o que cria o mercado. Em entrevista à Folhapress, Luciano Stremel Barros, que preside o instituto, explicou que o contrabando prospera onde há diferença grande de preço entre dois países, seja por causa de imposto, seja por causa de regra que restringe a venda. Nos três produtos em alta, o que vale no Brasil não vale no Paraguai: nem os vapes, nem as canetas, nem os principais agrotóxicos contrabandeados podem ser vendidos legalmente em território brasileiro.

Para ele, o ritmo observado permite imaginar que 2025 tenha terminado perto de R$ 1 bilhão em apreensões desses aparelhos.

O estudo também descreve como o crime organizado passou a ocupar esse espaço. Segundo o instituto, transportar mercadoria por essas rotas custa em média 22% do valor, qualquer que seja o produto, e as facções encontraram ali lucro alto, punição menor do que a prevista para o tráfico de drogas e caminhos já abertos por elas mesmas.

A conta fecha bem para quem está do outro lado. A margem de lucro do contrabando de cigarros eletrônicos chega a 259%, e a do cigarro convencional, categoria mais rentável, a 507%. Tudo isso circula sem que nenhum imposto seja recolhido, e concorre com quem vende dentro da lei.

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