Sem data no STF, lei do licenciamento ambiental deixa obras em suspenso
O julgamento chegou a ser pautado no mês passado, mas saiu da lista depois que uma nova ação chegou ao tribunal, e empresas agora temem que licenças já concedidas sejam revistas.
Dois lados que raramente concordam estão pedindo a mesma coisa ao Supremo Tribunal Federal: uma decisão rápida sobre a nova lei do licenciamento ambiental. Entidades de defesa do meio ambiente e empresas de infraestrutura disseram à Folha de S.Paulo que a indefinição está custando caro aos dois campos.
O tribunal chegou a marcar para o mês passado o julgamento de quatro processos sobre o tema — três ações que questionam a constitucionalidade de trechos da lei e uma que pede a confirmação de sua validade. O item acabou retirado da pauta do plenário depois que mais uma ação foi protocolada. Não há nova data.
Enquanto isso, a lei vale. Ela está em vigor desde fevereiro, e é com base nela que licenças vêm sendo emitidas.
Daí a preocupação do setor privado. Segundo a Folha, Ronei Glanzmann, que dirige a associação MoveInfra, reunindo concessionárias de rodovia, ferrovia e porto, afirmou que o temor maior é o que acontece com o que já foi feito. Há empreendimentos que obtiveram licença pela via simplificada que a lei criou, a de adesão e compromisso, e obras de manutenção tocadas sem licenciamento, também conforme a norma permite. Se o Supremo mudar as regras, disse ele, fica em aberto o que ocorre com os efeitos retroativos dessas decisões.
Do outro lado, a cobrança é parecida. O Observatório do Clima, que junta mais de cem entidades ambientalistas e participou da elaboração de uma das ações entregues ao tribunal em dezembro, também quer velocidade. Ainda de acordo com a Folha, Fábio Ishisaki, assessor de políticas públicas da organização, avaliou que o adiamento produz insegurança dos dois lados: atrapalha os negócios, porque ninguém sabe o que vai valer, e atrapalha os órgãos ambientais, que não sabem como aplicar a lei.
O licenciamento é o procedimento que serve para identificar, reduzir e compensar os impactos de uma obra ou atividade. A nova lei foi aprovada pelo Congresso Nacional em julho do ano passado, sob o argumento de modernizar e acelerar os processos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou trechos do texto no mês seguinte.
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