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Lula sanciona o fim do imposto em compras de até US$ 50 em site estrangeiro

Além de zerar a cobrança sobre as encomendas pequenas, a lei derruba de 60% para 30% a alíquota das remessas de até R$ 3 mil e cria travas contra o uso do benefício para revenda.

atualizado em 11/09, 02:20 3 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de pacotes entregues na soleira da porta, simbolizando compras online e entrega em casa.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: RDNE Stock project / Pexels

Quem compra em plataforma estrangeira deixa de pagar o imposto de importação de 20% que incidia sobre encomendas de até US$ 50, algo em torno de R$ 257. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei nesta quinta-feira (10), segundo a Tribuna do Paraná, e a isenção vale para remessas postais.

Apelidada de taxa das blusinhas, a cobrança pegava principalmente roupas e acessórios de baixo valor vendidos por Shein, Shopee e AliExpress. A medida provisória 1.357, editada pelo governo, perdia a validade em 8 de setembro, o que empurrou as duas Casas a votá-la na mesma semana: os deputados e o plenário do Senado aprovaram o texto em 3 de setembro, este último por votação simbólica.

Acima dos US$ 50, a conta também muda. A alíquota que incide sobre remessas de até R$ 3 mil caiu pela metade, de 60% para 30%. E some a cobrança sobre medicamentos importados sem equivalente fabricado no país, emenda acrescentada pela relatora, a senadora Leila Barros (PDT-DF).

A lei traz travas contra o uso do benefício fora da compra de pessoa física. O governo federal fica autorizado a fixar limites de quantidade e de frequência, e há mecanismos previstos contra o fracionamento artificial, manobra que divide um pedido grande em vários pequenos para caber na faixa isenta. Outros controles miram quem usaria o regime simplificado para revender. A tributação pode variar conforme o meio pelo qual a mercadoria entra no país e conforme o site estar ou não no programa de conformidade da Receita Federal. O ministro da Fazenda passa a poder mexer nas alíquotas quando julgar necessário.

Nada disso está fechado para sempre. O Ministério da Fazenda deverá medir o que a isenção provoca em emprego, renda, competitividade e arrecadação, com o primeiro relatório em novembro e os seguintes a cada seis meses. O Congresso Nacional revisará o regime uma vez por ano. Fabricantes de calçados, vestuário, têxteis, brinquedos, cosméticos e acessórios acompanharão essas avaliações. Duas propostas ficaram de fora do parecer: obrigar que as encomendas passem pelos Correios e criar compensações tributárias para quem produz no Brasil.

A tramitação foi disputada. Indústria e varejo pressionaram o Congresso contra o fim do tributo, alegando concorrência desleal das plataformas asiáticas e risco ao emprego no país. Na comissão mista, conforme o relato da Agência Brasil publicado pelo Bem Paraná, o senador Izalci Lucas (PL-DF) disse ser contra taxar, mas cobrou isonomia, ao argumentar que baixar alíquotas favorece o trabalhador de fora em prejuízo do brasileiro. Ainda segundo o Bem Paraná, ao defender o texto, Leila Barros sustentou que tributar pesadamente as pequenas remessas onerava justamente as famílias de menor renda, enquanto quem viaja ao exterior mantém isenção para compras de até US$ 1 mil. Em declaração reproduzida pela Tribuna do Paraná, Lula afirmou que a isenção não deve causar prejuízo às empresas nacionais.

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