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Candidaturas jovens em 2026 perdem mulheres negras e ganham homens brancos

Levantamento do Monitor Jovem DX com dados do TSE mostra que elas caíram de 49,1% para 40,5% dos registros de candidatos com até 29 anos ao Legislativo estadual e federal.

2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Vista do Congresso Nacional, em Brasília, com sua arquitetura modernista sob céu nublado.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Magali Guimarães / Pexels

O perfil de quem tenta uma cadeira no Legislativo antes dos 30 anos mudou de direção nestas eleições. Depois de três pleitos seguidos com equilíbrio entre homens e mulheres, a participação feminina entre as candidaturas jovens recuou, e a de homens brancos voltou a crescer.

As mulheres respondem agora por 40,5% dos registros de candidatos de até 29 anos a deputado estadual e federal. Em 2022 eram 49,1%. Com a queda, esse grupo passa a se parecer com o conjunto geral de candidatos de todas as idades, em que a fatia feminina ficou em 35,3%, contra 34% quatro anos atrás.

O recuo atravessou o espectro político, mas não na mesma medida. Entre as candidaturas jovens de esquerda, as mulheres eram 51% em 2022 e agora são 46,7%. À direita, a diferença foi maior: de 48,3% para 37,5%.

Cruzando gênero e cor, o quadro fica mais nítido. As mulheres negras, que reuniam 28,7% das candidaturas jovens no pleito anterior, caíram para 21,3%. Os homens brancos subiram de 26,2% para 30,8% e retomaram a posição de maior grupo, seguidos pelos homens negros, que foram de 23,9% para 28%. As mulheres brancas passaram de 19,8% para 18,1%.

Parte do movimento coincide com a chegada de uma legenda nova. O Missão, que disputa sua primeira eleição, responde por 178 dos 912 registros de candidaturas jovens mapeados, ou 19,5% do total identificado no Tribunal Superior Eleitoral. Entre os candidatos jovens do partido, 70,8% são homens.

Quem coordena o levantamento é a pesquisadora Beatriz Besen, ligada à PUC de São Paulo. À Folhapress, ela afirmou que a estreia da sigla é uma das novidades da disputa e chama atenção pela quantidade de jovens que reúne. Na avaliação dela, o desequilíbrio trazido pelo partido faz parte de uma mudança mais ampla no perfil dessas candidaturas.

O monitoramento nasceu de uma parceria entre o Instituto Democracia em Xeque e um núcleo de pesquisa da universidade paulista, com apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil. O primeiro relatório trabalhou com informações extraídas do Portal de Dados Abertos do TSE em 3 de setembro, o que torna o retrato ainda preliminar.

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